Black Sails: Resenha Final

29 de maio, 2017

Termina Black Sails, a série sobre a epopeia Pirata de Capitão Flint e a trupe de Nassau foi enxuta, quatro temporadas com dez episódios, trouxe uma abordagem bem diferente do esperado para um tema que habitualmente traria clichês por sua própria natureza, é uma peça a ser apreciada diante da imensa oferta seriada pouco entusiasmante que encontramos por aí.





Desde sua primeira temporada Black Sails se mostrou dinâmica, mais pautada na estratégia que rondava o comércio fomentado pela pirataria do que propriamente nos saques em alto mar, apesar de belas cenas de embate entre embarcações marítimas com o selo Michael Bay de explosões. Isso até incomoda em muitos momentos, esperava um pouco mais do estereótipo 'ilegal' que permeia um pirata, sujeitos brigões e hostilmente violentos, mas ok, deixa essa figuração lá pro Alma Negra.

Com certeza a reta final da temporada é o que se estabelece de mais surpreendente, mesmo Flint sempre figurando com certo protagonismo, talvez o grande trunfo desta seja justamente criar arcos bastante relevantes que formam o quebra-cabeça de forma sensata.


 SPOILERS! 

A morte de Charles Vane já causa grande perplexidade pra quem acompanhou a trama, já que o pirata sisudo parecia engajar com Flint a liderança pela luta em Nassau, mesmo tendo se 'martirizado', o ato já deixava uma enorme incógnita no que viria a seguir. O mesmo para a fatídica morte de Eleanor, mesmo a personagem desgastada por suas traições pouco justificáveis, ter dado uma morte tão terrível a mercante 'pirata' foi também muito surpreendente a aquela altura da história.

Dessas brutalidades dignas de Game of ThronesBlack Sails poderia se enrolar terrivelmente no seu momento final, a ausência das personagens acima poderia tornar o enredo pouco coerente, mas ainda que com muitas pontas soltas, o alavancamento da relação entre Long John e Flint passam a dar o compasso de maneira eficaz sobre a premissa do que sempre foi a grande razão de tudo, o Tesouro do Urca e o estabelecimento em Nassau.

eleanor
Eleanor e Anne

Dentre os coadjuvantes, confesso a pena dura que sobrou para Eleanor seria melhor aplicada a Max, muito mais egocêntrica e com a atuação bem mediana da bela Jessica Parker talvez deixasse os espectadores mais satisfeitos mas vá lá, sobra a ela a condição de usurpadora, assim como Jack Hackam que se sobressai pela atuação bem mais notável de Toby Schmitiz, no geral a solução dada na ausência das principais conexões destes [Vane e Eleanor] é compreensível.

Mas certamente o mais gritante é o final dado para o intransigente Capitão Flint, pensar que todo o prélio passado em quatro temporadas, Long John Silver o convence a desistir do Urca, despachando-o para onde supostamente estaria seu amado Thomaz ainda vivo em terras poucos conhecidas, pode parecer de uma exacerbação gay pouco tragável mas dentro do inesperado, olha, traz um conforto digno de romance vespertino, deve deixar muito machão indignado e só por isso já se estabelece como irreverente.

rackham
Barganha

O barato de Black Sails é este, vale a pena porque traz um bom sketche de ação com estratégia típicos de peças hollywodianas, tudo com uma produção impecável. Foi curta [e quem sabe os índices não contribuíram para isso] Termina despretensiosa, quase discretamente, passou longe de ser um sucesso dantesco como Game of Thrones, poderia servir de exemplo para Vikings por exemplo [ser mais enxuta] mas principalmente entrega um final tão romantizado que deixa até aquela sensação de saudade pós-crédito, queríamos mais, mas está bom assim.