Mitologia Animada



goku

08 de agosto, 2017


Obviamente você já deve ter notado as referência diretas que os animes trazem na estruturação das personagens e de todo o enredo que permeia as histórias. Resolvi aprofundar um pouco mais o tema e o que se descobre são ainda mais citações a personagens lendários e misticos das regiões orientais mas, há ainda abordagens nas produções Ocidentais também. 

É fato que qualquer criação baseia-se em uma origem fundamental para que se suceda e provavelmente devem haver muitas referências no que diz respeito a desenhos animados mas, permita-me citar algumas bem interessantes inseridas dentro da cultura pop e que nos trazem um ensinamento e tanto, conhecimento animado.


A lenda do rei macaco

Dragon Ball talvez seja um dos animes mais emblemáticos tanto pela sua importância dentro da escola mangá quanto pelo seu envolvimento com os elementos referentes a lenda do Rei Macaco ou Macaco Rei [Sun Wukong], o nome Goku deriva diretamente do mítico personagem. Esta figura é um dos principais personagens da novela épica clássica chinesa chamada de Jornada ao Oeste

A semelhança também transparece na cauda e no cajado característicos do original. Shenlong, o lendário dragão protetor das esferas ainda é mais uma notável referência ao homônimo da lenda budista. O mais incrível disso tudo é a semelhança entre as personagens, Akira Toriyama provavelmente quis fazer um Goku absolutamente equivalente ao mitológico ser, e aparentemente deu certo, o sayajin é unanimidade nas tretas que circundam a série. Se já conhece Dragon Ball, torna-se obrigatória dar uma lida em algumas histórias da série chinesa.

Constelações

Cavaleiros do Zodíaco, este clássico noventista que arrebatou toda uma geração, além de toda pancadaria e as lendárias armaduras que encantavam a molecada, ainda nos brindava com muita mitologia, mais do que as referências diretas aos deuses nórdicos [Asgard], mitologia greco-romana [Poseidon-Hades], tínhamos ainda que involuntariamente, uma verdadeira aula de astronomia. Os cavaleiros sempre carregavam suas armaduras que eram citações diretas ao agrupado estelar que nomeava o herói ou vilão em questão. 

Se pegarmos os cavaleiros de Atenas inicialmente, temos quatro constelações: Cisne, Pegasus, Dragão e Andrômeda, os cavaleiros de ouro garantiam mais doze referências, as clássicas que são mais conhecidas pelos signos e relativamente ao horoscopo. Além da mitologia os cavaleiros das sagas de Asgard, Poseidon e Hades, sempre traziam uma constelação a sua designação, de Asgard por exemplo faz-se menção a constelação de Ursa Maior que é uma das principais avistadas e compõe personagens como o cavaleiro Fenrir [semideus da mitologia nórdica] de  Alioth, estrela Épsilon, uma miscelânea vertiginosa de saber. Se quando moleques nem nos atentávamos tanto a isso, hoje parece detalhe crucial pra tornar a série ainda mais instigante. 


Mitologia Hindu


Se Shurato tentava pegar rabeira no sucesso de Saint Seya, a temática com armaduras e pancadaria eram evidentemente uma tentativa de soar como Cavaleiros, aliás o estilo virou febre naquele momento com lançamentos de mesma aparência como Samurai Warriors [ou Ronin Warriors] e até mesmo tentando alcançar o público infanto-juvenil feminino com séries como Sailor Moon. Confesso não ter sido grande entusiasta de Shurato naquele momento mas a estética e a invocação dos soumas [onshurasowaka] eram algo que davam até certa personalidade a série. 

Sob esta breve análise mítica, Shurato pode ser um dos que abordaram uma das temáticas mais irreverentes, afinal de contas, basear uma série animada em heróis que buscam seus poderes em divindades hindus é no minimo inusitado. Dividindo-se em três mundos e seus respectivos deuses personificados, Shurato, o próprio Rei Shura enfrenta oponentes como Rei Yasha, sucessor de Brahma, mestre Indra, dentre outros personagens da vasta crença hindu. Todos respectivamente representados e com suas vestimentas de combate. Se a série por aqui não emplacou, Shurato com certeza merece uma segunda chance sob uma nova ótica.







Múmias e Faraós

Esse é daqueles para os que tem memória muito boa, Mummies Alive que eu nem faço ideia de como foi traduzido na exibição por aqui, passou por pouquíssimo tempo quando a dona Globo ainda dava certa importância para as crianças na sua programação matinal. A produção americana seguia a risca os mais diversos desenhos produzidos naquela época mas, era um negocio fora do sério, imagine múmias ninjas pilotando automóveis e motos voadoras enquanto disparam laser de suas armas, de deixar qualquer moleque besta. 

Mas certamente não era só isso, Mummies Alive segue a risca o assunto tratado nessa postagem, nossos heróis aqui são nada mais nada menos que Ja-kal, referência explicita ao rei Anubis, o cabeça de chacal defensor das pirâmides; Rath, o deus do sol Rá, cabeça de gavião; Armon [Amun-ra] deus dos deuses e do vento; Nefertina [Nefertiti]  rainha da dinastia egípcia e uma das mais famosas múmias encontradas, toda essa trupe enfrentando o emblemático Escaravelho alusão ao deus Khefri, foda, não? Neste caso, se as personagens se atem meramente a ilustrar os personagens históricos da mitologia egípcia, o desenho em si foi uma das criações mais interessantes vinda dos States, poderia andar facilmente na galeria de ThundercatsCaverna do Dragão e cia.