Heróis e o cinema, um acerto improvável: Tartarugas

tartarugas ninja

24 de fevereiro, 2015

Ta aí umas personagens que nunca foram devidamente respeitadas, desde o surgimento nos anos 80 nos quadrinhos as criações de Kevin Eastman e Peter Laird de lá pra cá tiveram uma série de adaptações para o cinema e televisão desastrosas até então. Os seres antropomorfos foram um dos meus primeiros contatos com os quadrinhos, lembro claramente de um petardo p&b que meu pai me trouxe, isso logicamente aguçou minha identificação com as personagens.

O contexto das tartarugas sempre foi prato cheio pra estereotipar uma franquia gigantesca pegou rabeira na Marvel estão aí até hoje. O problema é que essa total infantilização dos heróis ruiu com um produto que poderia ter um potencial muito melhor do apresentado até então. O desenho animado do final da década de 80 [1987] era até simpático, e acertou em cheio o público alvo, foram muitas temporadas de exibição nos matinais e um sucesso estrondoso, talvez pela simpatia da obra, o que de melhor foi produzido para TMNT pós quadrinhos até então [Relembre!].

No embalo da série animada que se consagrou vieram os filmes, e aí as tartarugas tem mais uma importância na minha vida, O segredo de Ooze foi minha primeira empreitada nos cinemas, acompanhado de meus pais no antigo Belas Artes fui ver os mutantes em sua primeira versão live action, eram apenas 6 anos de idade e ver os action figures que eu mesmo empunhava saltando em uma imensa projeção, foi vertigem pura.







Os filmes foram a guinada definitiva da franquia visando o público infantil, a primeira trilogia chega a ser banal considerando enredo e as muitas falhas técnicas visíveis na edição final, como fã que peguei a época, rever as peças me dão definitivamente uma grande frustração, nem o saudosismo salva, apesar de até curtir o enredo do talvez mais subestimado de todos os filmes, TMNT III, apesar de igualmente fraco acaba sendo o mais inusitado. Menos ainda convém dar opinião sobre a série live action que passou na Fox Kids com direito a participação em Power Rangers achava bizarro quando moleque, o que dizer atualmente?!






Depois seguiram as investidas nas séries animadas, algumas até decentes, como a de 2003 fazendo referência direta aos quadrinhos e a clássica série, inclusive rolando um inusitado crossover [Se liga]. É então que a Nickelodeon adquire os direitos da obra, naturalmente que uma rede de canal infantil iria tirar proveito e manter a linha voltada para o público em questão, mutantes renderizados, mais uma leva animada em 3D passam longe dos cascudos dilaceradores dos quadrinhos.





A grande aposta da Nick agora é com uma nova trilogia das tartarugas, quando começaram as especulações com a filmagem ainda no primeiro filme, mesmo esperando um produto para infantes, como fã criei minhas expectativas, é então que me deparei com os trogloditas armados e uma reformulação irreconhecível das criaturas, incrivel pensar que existem muitas fanarts incríveis pela internet relacionadas aos ninjas e ao final temos uma caracterização tão desleal e artificial, pior ainda foi assistir o petardo, filme insosso pra não dizer idiota.


tmnt
a arte de danhowardart.deviantart.com é só um dos bons conceitos por aí


Agora 2016, já vamos para a segunda parte da nova geração das personagens, se os adolescentes ninjas ainda causam estranhamento, o Destruidor se parece mais com um Transformer e Splinter tornara-se absolutamente repugnante, ao menos deixaram Bebop, Rocksteady e Krang com um aspecto bem mais interessante, salvo as notas de humor, o restante é pancada audiovisual assinado pelo mestre em fazer isso: Michael Bay.




E já com bastante conteúdo postado nessa longa série Heróis e o Cinema, creio já ser o suficiente para me indagar de uma singela e próxima conclusão, é fato que os heróis são feitos para atrair principalmente o público infanto-juvenil e cabe reiterar que não espero nem uma obra expressionista alemã narrando as desventuras do Batman como a própria DC entregou um produto bem controverso nesse sentido mas, a Marvel tem dado boa dosada em diversos elementos de seu conteúdo e que pode sim agradar a todos os públicos, e isso é um put@ de um triunfo pra quem quer legitimar e não apenas faturar, basta ver os a euforia envolta nas produções da mesma.

Se as Tartarugas foram absorvidas por um nicho especifico e a Nick parece até se esforçar em dar amplitude a isso, a verdade é que teremos mais uma trilogia bem mediana dos mutantes, cabe a alguém conseguir dar mais potencial pra saga com a mesma inteligência que a Marvel tem agregado nas suas séries, eu acredito que as tartarugas podem ser mais que bonecos, games, camisetas e principalmente filmes meia-boca.