Falando de Tendências Suicidas

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20 de março, 2014


Quando comecei a gostar de rock sofri o processo que todo iniciante no assunto aparentemente passa, da descoberta das ascendentes Rage against the machine, Nirvana e cia, meados dos anos 90, a submersão nas vertentes mais obscuras indo de Bathory a Iron angel, isso já por influência dos lps e k7's dos amigos, e lapidando-se com o tempo chegando a Dillinger escape plan, Morphine, etc, graças a chegada da abençoada internet 256kbps.

Se há uma banda de suma importância neste caminho, essa é o Suicidal Tendencies, desde o primeiro contato com Join the army a primeira audição já me marcou definitivamente, o hardcore rápido, grooves e slaps aliados a refrões grudentos feitos pelo vocal fanhoso de Muir fizeram aquele raparigo espinhento saber o que queria de sua vida musical. É então que chego em uma segunda fase de descoberta, os álbuns pós Join the army pareciam intragáveis naquele instante, com exceção do hino You can't bring me down, ouvir aquele Suicidal de Lights Camera, Revolution me faziam parecer estar ouvindo Stratovarious, meus tímpanos simplesmente não absorviam.

Foi então que a mágica aconteceu, Felipão apareceu com um LP de época [88] prensagem alemã com encarte e tudo o mais, era How I will laught tomorrow... if I can even smile today, já sabendo o que iria ouvir não me empolguei tanto mas colocamos no Gradient 3em1 pra rolar assim mesmo, não sei o que havia na cerveja naquela noite mas foi então que eu redescobri o ST, 'caralho que album foda!' simplesmente magnânimo, depois disso foi um desenrolar de redescobertas, conhecer o Infectious Grooves, Cyco Miko e reouvir Lights Camera.. e até mesmo o controverso Art of Rebellion despertaram uma admiração eterna com a banda, os slaps de Trujillo, Jimmy DeGrasso um arregaço na bateria em Suicidal for Life, letras com criticas sociais e autoquestionamentos. Não sou o tipo de fã que vai saber a cor da cueca do Mike Clark no show do Philips Monsters na turnê de 94, mas aprendi a ouvir a ST com outros ouvidos e admirar a banda ainda mais.

De quebra com tudo isso, quando a internet ainda estava em seus primóridios, lembro de termos baixado toda aquela galerinha de Venice Beach: Excel, Bewoulf, Los Cycos e o glorioso No Mercy, desculpem-me os truezão do rolê mas nada será mais primoroso que o speed/thrash de Widespread Bloodshed, love runs red, palhetadas infernais gravadas em 83, ano em que o thrash ainda ascendia para o mundo, esse álbum é um marco que anda fácil na galeria de Kill em' All e Reign Blood.

Ainda tive a oportunidade de ver o ST recentemente na Virada Cultural e em um show mediano no Clash, se a banda já não é mais a mesma, seja pelos novos integrantes, pela performance um tanto 'cansada', ao menos Mike Muir é um daqueles caras obstinados, não larga a sua causa e morrerá com ela. Pra finalizar segue o que seria minha final-playlist homenagem a essa banda fantástica e parte de sua história, que também é um pouco da minha.